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Macron vai falar. França em estilhaços e cinzas após jornada de protestos e confrontos

Macron vai falar. França em estilhaços e cinzas após jornada de protestos e confrontos

Os confrontos entre forças de segurança e manifestantes pintaram um quadro de destruição em várias cidades francesas. Houve pilhagens de lojas e edifícios e carros queimados. O presidente francês anunciou uma comunicação aos franceses para o início da noite.

Carlos Santos Neves - RTP / Adicionar como fonte informativa
O Governo francês prometeu já atuar com firmeza perante os episódios de violência vividos no sábado | Mohammed Badra - EPA

Os franceses acordaram este domingo para um cenário de destruição, depois de uma jornada de violência e pilhagens que acabou por ensombrar a mobilização de centenas de milhares de pessoas contra o agravamento do custo de vida. A seis meses das eleições presidenciais, o Governo promete agir com mão de ferro.

As autoridades francesas anunciam 1.800 interpelações nos confrontos de sábado, com registo de cerca de 900 detidos. Entre as forças policiais haverá pelo menos 500 agentes feridos. O número de manifestantes feridos é incerto.

O balanço das forças de segurança refere perto de meio milhão de manifestantes nas ruas, mas as estruturas sindicais apontam para 800 mil.
Jornal da Tarde | 18 de outubro de 2026Foram muitos os focos de incêndio provocados pelos manifestantes. O edifício da câmara de Limoges, com mais de 140 anos, acabou por desabar parcialmente.


Em Marselha, no sul de França, Lille, no norte, Angers, no oeste, e Bordéus, no sudoeste, os manifestantes invadiram e vandalizaram câmaras e edifícios de outros órgãos administrativos. Em Lyon, no sudeste do país, um posto de turístico foi incendiado.

Em Paris, “ruas inteiras foram metodicamente devastadas”, nas palavras do vice-presidente da câmara da capital, o socialista Emmanuel Grégoire.

“Aqueles que destruíram e atacaram estabelecimentos comerciais e que saquearam até mesmo as nossas câmaras municipais serão processados e punidos”, afiançou, por sua vez, na rede social X, presidente francês, Emmanuel Macron.


“Permaneceremos unidos diante daqueles que semeiam o caos e que buscam apenas derrubar as nossas instituições”, insistiu o chefe de Estado.
“Convergência” de contestações
Ao cabo de semanas de protestos de estudantes do ensino secundário, os organizadores da jornada de mobilização de sábado visavam uma “convergência de lutas”, incluindo os antigos “coletes amarelos”. Isto num contexto de agravamento do custo de vida com a escalada de preços dos combustíveis.
Rosário Salgueiro, Paulo Domingos Lourenço - RTP, Paris

O líder do partido de extrema-esquerda A França Insubmissa percorreu as ruas de Paris numa marcha de protesto. Segundo Jean-Luc Mélenchon, citado pela agência France-Presse, “aqueles que compartilham” da sua luta “não têm nada a ver com pilhagens ou depredações”.Mélenchon acusou mesmo o primeiro-ministro francês de ter ”brincado com fogo ao apostar no agravamento” da situação.

“Os discursos do deputado de Jean-Luc Mélenchon, ao legitimar a violência, ao considerar a ordem como uma forma de opressão e a desordem como um direito, procuram lançar o país no caos”, contrapôs, por sua vez, a líder do Rassemblement National, de extrema-direita, Marine Le Pen.

Também citado pela France-Presse, o presidente da Federação do Comércio e da Distribuição, Alexandre Bompard, afirma esperar “graves consequências económicas e financeiras”.

O Palácio do Eliseu anunciou entretanto que o presidente francês, Emmanuel Macron, se dirigirá ao país às 20h00 (19h00 em Lisboa), depois de o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, presidir a uma célula de crise.

c/ agências
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